PARA LER NO DIA 17 DE SETEMBRO, PELA MANHÃ
Um encontro, como este, convocado sem razão aparente, como aparentes são as razões do coração, evoca-me retalhos imensos, misturados, alguns mal cozidos e outros bem bordados.
Uma casa de granito, com lençois frios e uma água gelada que não desfaz o sabão, camas cheias de meninos e tios por toda a parte.
Histórias sem lareira mas com uma televisão a preto e branco fazendo ruido enquanto se espera um novo Ano.
Histórias antigas, de tempos de menos coisas e muitos irmãos que se arranjavam para não perder o tempo nem o Verão, ou o Natal.
Discussões e gritos, sempre muitas discussões, de quem aprendeu que são tempos para tomar partido porque os tempos são outros e é preciso acreditar.
Canções, canções com letras que desde a razão querem chegar ao coração, ou será ao contrário.
Um rio sem barragem, com pedras para saltar, nadar à outra margem, explorar-lo...como quem lê um livro.
Parece tão díficil ver cada UM sem ver o conjunto de TODOS.
Mas...
a distância, como hoje, parece dizer que o tempo é limitado. Como dizer que não existe teletransporte.
Há pessoas unidas por fios indeléveis, como teias de aranha, frágeis e resistentes. Estão aí, unindo-las com uma energia cósmica, holística, de um todo universal. Pessoas que passam a vida desejando a presença umas das outras, mas sabendo-se sempre próximas por algo que flui entre elas, sem que o procurem, como fazendo parte da sua propia identidade. São aqueles com quem nos sentamos sem dizer nada e muitas vezes, quando não estão, imaginamos conversas infinitas.
Às vezes, ficas com a sensação que não sabes nada delas. Que fazem? Que pensam? Como estão?
Outras vezes, pensas que não necessitas saber.
Mas hà dias que lamentas teres deixado que a distância te roubasse tempo.
