19 de setembro de 2011

Para ler...

PARA LER NO DIA 17 DE SETEMBRO, PELA MANHÃ

Um encontro, como este, convocado sem razão aparente, como aparentes são as razões do coração, evoca-me retalhos imensos, misturados, alguns mal cozidos e outros bem bordados.

Uma casa de granito, com lençois frios e uma água gelada que não desfaz o sabão, camas cheias de meninos e tios por toda a parte.

Histórias sem lareira mas com uma televisão a preto e branco fazendo ruido enquanto se espera um novo Ano.

Histórias antigas, de tempos de menos coisas e muitos irmãos que se arranjavam para não perder o tempo nem o Verão, ou o Natal.

Discussões e gritos, sempre muitas discussões, de quem aprendeu que são tempos para tomar partido porque os tempos são outros e é preciso acreditar.

Canções, canções com letras que desde a razão querem chegar ao coração, ou será ao contrário.

Um rio sem barragem, com pedras para saltar, nadar à outra margem, explorar-lo...como quem lê um livro.

Parece tão díficil ver cada UM sem ver o conjunto de TODOS.


Mas...


a distância, como hoje, parece dizer que o tempo é limitado. Como dizer que não existe teletransporte.

Há pessoas unidas por fios indeléveis, como teias de aranha, frágeis e resistentes. Estão aí, unindo-las com uma energia cósmica, holística, de um todo universal. Pessoas que passam a vida desejando a presença umas das outras, mas sabendo-se sempre próximas por algo que flui entre elas, sem que o procurem, como fazendo parte da sua propia identidade. São aqueles com quem nos sentamos sem dizer nada e muitas vezes, quando não estão, imaginamos conversas infinitas.

Às vezes, ficas com a sensação que não sabes nada delas. Que fazem? Que pensam? Como estão?

Outras vezes, pensas que não necessitas saber.


Mas hà dias que lamentas teres deixado que a distância te roubasse tempo.